segunda-feira, 1 de março de 2010

28o. El Chaltén (trilha: El Chaltén -> Laguna de los 3)

Nesse dia eu resolvi fazer uma expedição mais longa no parque Los Glaciares. Como a caminhada seria muito pesada e longa, a Carina não quis entrar na aventura (ou roubada rs). Por isso resolvemos que ela ficaria no conforto do hostel e eu iria fazer as trilhas sozinho.

A preparação para a caminhada incluiu botas e roupas impermeáveis, roupas de baixo (second skin), 3 meias de trekking, barraca, fogareiro, panelas, garfo, canivete, comida para 2 jantas, 3 almoços e 2 cafés da manhã, etc. Como eu vi algumas agências da cidade organizando caminhadas sobre o Glaciar Torre, também resolvi alugar 1 par de crampons (sola de ferro com pontas de ferro que se acoplam nas botas para que seja possível andar e escalar no gelo sem escoregar) e uma piqueta de gelo em uma loja local para tentar realizar a caminhada no Glaciar Torre sozinho no terceiro dia.


Hoje o objetivo é fazer uma trilha de 3 horas até o acampamento Poincenot, que é apenas uma área de camping selvagem (sem infra-estrutura nenhuma), liberada para os trekkers utilizarem. Depois seguir por uma trilha até a Laguna de Los 3.

A Carina decidiu me acompanhar por duas horas até o mirador Fitz Roy que é um mirante no meio da trilha onde é possível ter uma boa visão da famosa montanha Fitz Roy (quero dizer, famosa entre os montanhistas e escaladores tradicionais).


Depois deste ponto, nos separamos e ela voltou para a cidade pela mesma trilha que chegamos. Eu continuei por pouco mais de uma hora até o acampamento Poincenot. No caminho encontrei um argentino chamado Alejandro que felizmente acabou sendo a minha companhia de caminhada até o final da viagem de El Chaltén.


Chegando em Poicenot, o nosso acampamento foi montado rapidamente no meio de umas 15 barracas que já se encontravam no local. Após comer alguns alfajores e chocolates, subimos em direção a Laguna de Los 3 que é formada pelo degelo do gelo que fica preso na base do Fitz Roy e outras montanhas adjacentes. Foi uma subida de uma hora e pouquinho, bem íngreme e com bastante pedras soltas. No fim da subida veio o prêmio, uma visão clara do imponente Fitz Roy e da laguna de los 3.


Como ainda tínhamos algum tempo de luz, resolvi dar uma explorada maior nas redondezas do Glaciar e descobri acessos para perto do Glaciar que não estão indicadas no mapa de trilhas.

Abaixo uma foto das margens da lagoa mostrando um pouco da tranparência e das cores da água que embora sem sais mineirais, é muito pura e pode-se bebe-la tranqüilamente.


Seguindo mais a frente encontrei uma passagem que poderia chegar até o Glaciar propriamente dito, porém, o acesso era bem íngreme e requer algumas técnicas básicas de escalada. Por essa razão, o Alejandro não quis me acompanhar nesta empreitada (que seria a última que este argentino loco iria deixar para trás rs).




Este acesso leva para um terceiro lago que não é visível do lugar de visitação normal. Aqui pode-se ver a beirada do Glaciar e das cachoeiras que se formam no meio do gelo. Muito inspirador estar aqui.


Na volta para o acampamento, fizemos uma caminhada bem rápida pois, naquele momento, estávamos sem lanterna e não queriamos ficar a noite nesta trilha tão íngrime.

Voltamos ao acampamento, cozinhamos, escovei os dentes e dormi como uma pedra :-)



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